
ELINEUDO MEIRA é fotojornalista com trajetória marcada pela vivência em movimentos sociais e pela atuação nas ruas como espaço de encontro, disputa e transformação social. Criado em Osasco, na região metropolitana de São Paulo, aproximou-se da fotografia durante a graduação em jornalismo, após experiências no movimento estudantil e coberturas que o levaram a perceber a potência da imagem como instrumento de luta e denúncia. Sua transição definitiva do jornalismo para o fotojornalismo ocorreu no contexto do golpe contra a presidente Dilma Rousseff, quando passou a registrar de forma sistemática manifestações e atos políticos.
Entre suas pautas centrais estão as lutas do povo preto e periférico, os movimentos de moradia e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), além de mobilizações contra o aumento das tarifas do transporte público. Sua relação com a rua é atravessada por um compromisso ético e político: estar presente nas marchas, ocupações e protestos, construindo imagens que dialoguem com quem vive e protagoniza essas lutas.
Tem como referência nomes como Sebastião Salgado — especialmente o trabalho Terra (1997), Mônica Zarattini, Paulo Pinto, Roberto Parizotti, além de se inspirar em produções fora do campo estrito do fotojornalismo. Colabora com veículos e coletivos como Mídia Ninja, Brasil de Fato, Jornalistas Livres, Central de Movimentos Populares, Fotógrafas e Fotógrafos pela Democracia, Movimento dos Atingidos por Barragens, Sindicato dos Servidores de São Paulo (Sindsep), Fotos Públicas, Alma Preta, Revista Fórum, Jornal GGN, Folha de S.Paulo, O Globo, Esquerda Online, Centro de Estudos Barão de Itararé, Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Instituto Lula.
Entre suas coberturas marcantes, destaca-se a terceira posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2023, quando uma fotografia sua de uma jovem do Levante Popular da Juventude, carregando uma faixa vermelha, viralizou após ser publicada pela Mídia Ninja. Seu trabalho já integrou exposições, publicações e iniciativas de mídia independente, mantendo também projetos autorais de longo prazo ligados à documentação das lutas sociais.
Para Elineudo, a fotografia de denúncia e de movimento social é tanto alvo de contestação quanto um território de vitórias: cada registro traz em si a semente de um direito conquistado, a memória de uma ocupação ou o gesto de resistência. Seu olhar busca criar junto com quem é fotografado, para que o público sinta, ao ver a imagem, a mesma intensidade e sentido do momento vivido.
